A “Loucura” do Profeta
| “Pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos” (1Tm 6:10, NVI). |
Leitura adicional: Mateus 6:9-14
| Domingo, 29 de novembro | |
| O Senhor quer que eu faça o quê? |
Em muitas circunstâncias, me vejo diante da oportunidade de fazer algo que Deus me pede, mas não parece lógico. Às vezes, eu acho que talvez isso fosse o que Deus queria dois mil anos atrás. Mas agora, as coisas são diferentes! Então pergunto a mim mesmo o que devo fazer, e muitas vezes racionalizo o que Ele diz para que faça sentido para mim. Eis aqui um exemplo clássico:
Viajei para a Jamaica recentemente a fim de conhecer aquele belo país. Era uma longa viagem de automóvel do aeroporto até o local em que eu iria me hospedar. Era um dia quente de verão e nós serpeávamos pelas estradas estreitas que atravessavam a paisagem verdejante. Cansados de dirigir, paramos numa banca de frutas para comprar alguma comida e esticar as pernas. Saindo de nossa van quente e lotada, esfreguei os olhos ao deparar com o brilho do sol. Enquanto meus olhos se ajustavam, vi um homem sem-teto se aproximando de mim. “Desculpe-me, senhor, pode me dar alguns trocados?”, ele timidamente me pediu. Ora, eu estava bem ciente de que Deus me diz que dê aos pobres, mas pensei: Deus deve querer dizer que só deseja que ajude os pobres que ajudam a si mesmos. Não devo dar dinheiro para qualquer mendigo que peça porque, é claro, ele pode gastá-lo em bebida. Então eu disse ao homem sem-teto: “Desculpe. Não tenho dinheiro jamaicano.”
Embora Deus possa nos enviar a fazer uma tarefa ilógica, Ele sabe o que bem pode advir daquilo. Sim, pode parecer estranho; mas Deus só nos chama a seguir a Sua vontade. Ele fará o resto. 1 Coríntios 1:20 e 21 nos lembra que a sabedoria de Deus realmente vai além de todas as nossas ideias sobre “fazer sentido”. Ao estudar a história de Balaão nesta semana, lembre-se de que embora possamos não entender o plano de Deus, podemos ser uma pequena peça do quebra-cabeças que forma uma figura grande e cheia de detalhes.
Mãos à Bíblia |
| Compreensivelmente, Balaque estava inquieto. Afinal, veja o que os israelitas haviam acabado de fazer ao rei Ogue de Basã e ao rei Seom, dos amorreus – cuja nação já havia derrotado Moabe (veja Nm 21:26). Isso sem mencionar o que eles haviam feito aos cananeus (v. 1-3). Era motivo de sobra para estar com medo. 1. Por que o rei tinha tanto medo dos israelitas? Nm 22:1-6 2. Em realidade, se Israel representava uma ameaça, do que Balaque deveria realmente ter medo? Veja Gn 48:21; Êx 15:1; Dt 1:30; 20:4. |
RoyLyn Palmer-Coleman | Paradise, EUA
| Segunda, 30 de novembro | |
| Mulas realmente podem falar? |
Três vezes a mula tentou se desviar do anjo que estava bloqueando a estrada, e três vezes Balaão a surrou. Quando a mula falou com Balaão, ela revelou o verdadeiro coração dele. Essa era a mesma mula que ele sempre usava em suas viagens, contudo Balaão a amaldiçoou. Balaão perdeu a confiança em sua mula assim como perdeu a confiança em Deus. O mesmo Deus que disse a Balaão, na primeira vez, que não fosse até Balaque, é o mesmo Deus no qual Balaão perdeu a confiança e depois fez sua própria vontade.
Só duas vezes na Bíblia lemos sobre animais que falaram. O primeiro animal se encontra em Gênesis 3, onde uma serpente falante enganou a Eva. Apocalipse 12:9 confirma que a serpente era o próprio Satanás. Nesse relato, Satanás fala através do animal a fim de tentar Eva, pervertendo as palavras de Deus. A segunda vez que lemos sobre um animal falante é em Números 22, onde encontramos o relato de Balaão e sua mula.
Há uma grande ironia nessas duas ocorrências, pois em ambas as ocasiões há grande oposição a Deus e a Suas instruções específicas. A serpente em Gênesis é Satanás enganando Eva. Em Números 22:22 o anjo é enviado como um adversário de Balaão. A palavra hebraica para adversário é satan. Essa palavra é usada em Números 22:22 e Apocalipse 12:9.
No caso de Balaão, contudo, não era Satanás que estava parado no caminho. Era o anjo do Senhor. Deus não estava usando o anjo para bloquear Balaão, porque ele estava determinado a seguir sua própria vontade em vez da vontade de Deus. Balaão é que era o adversário do plano de Deus de abençoar os israelitas.
Pouco tempo depois desse incidente, Balaão pronunciou três bênçãos sobre a nação israelita. As referências a Balão em 2 Pedro 2:14-16 e Apocalipse 2:12-14 não contam uma bonita história sobre ele. Ele sempre será lembrado como alguém que faria qualquer coisa por dinheiro.
Mãos à Bíblia |
| Quem foi Balaão? “Balaão já havia sido um bom homem e profeta de Deus; mas apostatara e se entregara à cobiça; todavia professava ainda ser servo do Altíssimo. Não ignorava a obra de Deus em favor de Israel; e quando os enviados comunicaram sua mensagem, bem sabia que era seu dever recusar as recompensas de Balaque e despedir os embaixadores. Mas se arriscou a contemporizar com a tentação” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 439). 3. Aparentemente, Balaão estava se mantendo firme ao lado do Senhor. Porém, se lermos cuidadosamente, que sugestões podem indicar que ele estava brincando com a tentação? Nm 22:7-21 |
Jenni Glass | Overland Park, EUA
| Terça, 1o de dezembro | |
| O profeta em conflito |
Infelizmente, para Balaão, sua tentativa de conciliar na vida duas coisas incompatíveis chega ao fim antes de avançarmos muito com sua história. Uma coisa singular sobre Deus é que Ele não pode partilhar Seu trono com outros (Êx 20:3). Ele não vive num panteão como um deus entre outros. Essa singularidade dificultou as coisas para Balaão, porque ele amou “o salário da injustiça” (2Pe 2:15, NVI). A ganância estava competindo pelo trono de seu coração, e Balaão teria que escolher com que deus ficaria, pois Jesus disse: “Nenhum servo pode servir a dois senhores. ... Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16:13, NVI).
Será que alguma vez pensamos, como Balaão, que podemos fazer as coisas a nosso modo e servir a Deus ao mesmo tempo?
Hábitos pecaminosos não resolvidos assumirão o controle (Nm 23; Tt 3:3-8). O fato de que Deus falou a Balaão em sonhos e visões subentende que eles tinham algum tipo de relação significativa. O que sabemos sobre Deus é que Ele nos aceita como estamos (Tt 3:3-5). Ele deseja fazer tudo o que pode para ajudar-nos a eliminar nossos hábitos pecaminosos que, de outra forma, acabariam nos matando. Balaão não foi exceção. Assim, no princípio de Seu relacionamento com Balaão, podemos estar certos de que Deus sabia sobre seu problema com a ganância. Podemos estar seguros de que Deus tentou buscar, atrair e conquistar o coração de Balaão. Ele desejava que Balaão experimentasse a liberdade da entrega total, a liberdade da salvação pela graça.
Balaão recusou lidar com os hábitos pecaminosos profundamente enraizados em sua vida. Em vez de ouvir o Espírito Santo, racionalizou Seus apelos e resistiu a Ele até que o problema da ganância se transformou numa erva daninha gigantesca que encheu o jardim de seu coração (Jd 1:11). Quando a delegação de Balaque chegou, oferecendo-lhe riquezas, recompensas e honra, Balaão estava pronto a fazer o que há algum tempo seu coração lhe dizia para fazer. O resultado foi um pecado não resolvido que levou a um fim desastroso.
Como podemos resolver o pecado em nossa vida?
Como não amar uma mentira (2Ts 2:9-11; Ap 2:14). O interessante sobre Balaão é sua professa preocupação em buscar fazer a vontade de Deus. Por que ele se preocupava tanto com o que Deus pensava quando ia fazer, de qualquer forma, o que queria? Por que continuou pressionando a Deus por uma resposta diferente quando já sabia qual era a vontade de Deus? Talvez Balaão fosse como a maioria de nós. Gostava de pensar que estava bem com Deus, enquanto desejava fazer o que queria. Não somos do mesmo jeito?
O apóstolo Paulo nos diz que as pessoas serão assim até o fim dos tempos. “Estão perecendo, porquanto rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar. Por essa razão Deus lhes envia um poder sedutor, a fim de que creiam na mentira” (2Ts 2:10, 11, NVI). É da natureza humana desejar se sentir bem com respeito ao que se está fazendo, e Balaão não foi exceção à regra. Ele sabia demais sobre Deus para desejar viver afastado dEle, por isso decidiu ver se podia fazer Deus ser do jeito que ele desejava que Deus fosse.
De certa forma, Balaão vivia uma vida bastante legalista. Fazia exatamente o que Deus lhe dizia para fazer, no que diz respeito a cumprir ordens específicas. Contudo, violava os princípios sobre os quais as ordens específicas de Deus estavam baseadas. Não quis amaldiçoar Israel com palavras (Nm 24:12, 13), mas mais tarde chegaria ao mesmo objetivo atraindo Israel ao pecado (Ap 2:14). Os fariseus tinham o mesmo problema nos dias de Jesus. Devolviam o dízimo de suas especiarias, mas não viam problema em planejar matar alguém. Eram bons em fazer o que lhes era ordenado, mas o coração não estava naquilo. Jesus os repreendeu por negligenciarem os princípios e fazerem as coisas mecanicamente (Mt 23:23).
Uma espiritualidade de boas obras exteriores sem mudança de coração não é espiritualidade que vem de Deus. No fim, Balaão é exemplo de alguém que “ajustou” a vontade de Deus segundo sua própria ideia o suficiente para poder sentir-se confortável em fazer quase tudo o que quisesse. Ele não amava a verdade, portanto, Deus deixou que ele cresse numa mentira. Sua história é uma advertência para pessoas que vivem numa geração em que nada é absoluto, e a verdade é considerada relativa.
Como sabemos se amamos a verdade ou não? Como podemos estar seguros?
A vontade de Deus se cumpre (Nm 24). Apesar dos atos egoístas de Balaão que iam diretamente contra o plano de Deus para Israel, Deus orquestrou as circunstâncias de tal forma que Sua vontade ainda se cumpriu. Ele transformou o pedido de Balaque por uma maldição na realidade de uma bênção.
Como Deus transformou algo mau em bom em sua vida?
Mãos à Bíblia |
| 4. Leia Números 22:22-34 e responda as seguintes perguntas: a. Que significado simbólico existe no fato de que o animal mudo podia ver o anjo do Senhor e Balaão, suposto profeta de Deus, não o via? (Veja Sf 1:17; Mt 15:14; Ap 3:17.) b. Leia a primeira resposta de Balaão à jumenta depois que esta falou com ele. Pense no que estava acontecendo. Que resposta irracional de Balaão revela a verdadeira natureza de seu coração e seu desejo de obter riqueza? Afinal, o que a maioria das pessoas faria se um animal começasse a conversar com elas? c. Como essa história revela a graça de Deus, mesmo para Balaão, apesar de sua má escolha? |
Steve Allred | Sacramento, EUA
Steve Allred | Sacramento, EUA
| Quarta, 2 de dezembro | |
| O pecado de um homem |
“Balaão... [havia] recebido grande luz e desfrutado privilégios especiais; mas um simples pecado que era acalentado... [lhe] envenenou todo o caráter, e ocasionou... [sua] destruição. ... É coisa perigosa permitir que uma característica infiel viva no coração. Um pecado acariciado pouco a pouco aviltará o caráter, levando todas as suas faculdades mais nobres em sujeição ao ruim desejo. A remoção de uma única salvaguarda da consciência, a condescendência com um mau hábito sequer, o descuido das elevadas exigências do dever, derribam as defesas da alma, e abrem o caminho para entrar Satanás e transviar-nos. O único meio seguro é fazer nossas orações subirem diariamente, de um coração sincero, como fazia Davi: ‘Dirige os meus passos nos Teus caminhos, para que as minhas pegadas não vacilem. Sal. 17:5’” (Ibid, p. 452).
Mãos à Bíblia |
| 5. Leia as palavras que Balaão, controlado por Deus, falou sobre os filhos de Israel. Que poderosa mensagem e promessa é encontrada nessa profecia? Que esperança nelas é também oferecida a nós todos? Nm 23:5-10; veja também 1Co 15. “[Balaão] Viu-os amparados pelo Seu braço, ao entrarem no escuro vale da sombra da morte. E viu-os saírem de seus túmulos, coroados de glória, honra e imortalidade. Contemplou os resgatados se regozijando nas glórias imarcescíveis da Terra renovada. Olhando para esta cena, exclamou: ‘Quem contará o pó de Jacó, e o número da quarta parte de Israel?’ E, ao ver a coroa de glória em cada fronte, a alegria irradiando de cada semblante, e olhando para aquela vida intérmina de pura felicidade, proferiu a solene oração: ‘A minha alma morra a morte do justo, e seja o meu fim como o seu’”(Nm 23:10; Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 447). 6. Que significa morrer a morte “dos justos”? Qual é a única forma pela qual podemos morrer assim? Rm 3:20-24. |
Eileen Neave | Keene, EUA
| Quinta, 3 de dezembro | |
| Permanecer forte em defesa de Deus |
Consulte a Deus. Discernir o certo do errado é seu primeiro passo. Talvez você não precise passar longas horas em oração e estudo sobre esse assunto, porque sabe que o sábado começa ao pôr do sol da sexta-feira, e que você deve santificá-lo não trabalhando nele. Então, talvez você esteja precisando orar para que Deus lhe dê forças para fazer o que você já sabe que é o certo. Outras situações podem não ser tão claras como esta. Nesses casos, a oração e o estudo da Bíblia terão um impacto notável.
Diga aos outros. Esse é o passo que faz com que a história de Balaão se destaque. Quando ele decidiu o que Deus desejava que ele fizesse, disse ousadamente aos príncipes, e até ao rei (Nm 22:12, 13, 18, 23, 38) que tinha que falar as palavras de Deus. Ele conhecia a importância de seguir a Deus e a loucura de ir contra Ele.
Diga a si mesmo. Este passo surge da necessidade. Balaão consultou a Deus e até falou aos outros quais eram suas crenças, mas quando teve que decidir, escolheu ir com os moabitas para ver se podia amaldiçoar Israel. Preocupou-se com o dinheiro que ia perder e com sua reputação como adivinhador pago (Nm 22:7). No fim, acabou perdendo o dinheiro de qualquer forma.
Se você sabe o que é certo, continue dizendo isso a si mesmo. E faça-o. Você poupará a si mesmo muitos problemas. Pode acreditar.
Mãos à Bíblia |
7. Leia a profecia de Balaão em Números 24:15-17. De que tratava e como ela se cumpriu? Gn 49:10; Mt 2:1, 2 Por muito tempo, os estudiosos da Bíblia viram nessas palavras uma predição messiânica, referindo-se ao Redentor vindouro, Jesus. A imagem de um cetro (poder) e de uma estrela (luz) são símbolos apropriados de Jesus. Embora, no momento da profecia em si, o Senhor tenha usado símbolos locais, que teriam significado para aqueles que a ouviram naquele tempo, o princípio por trás da profecia – de poder e da vitória de Cristo – se aplica ao mundo todo. Jesus é a luz do mundo e seu proprietário legítimo, e não importa quais sejam os planos humanos, no fim, o mundo inteiro O verá prevalecer (veja Is 45:23; Rm 14:11; Fp 2:10). |
Jarrod Purkeypile | Keene, EUA
| Sexta, 4 de dezembro | |
| Realmente temos liberdade? |
Aplaudimos o fato de que Deus nos deu a liberdade de escolha. Podemos escolher se aceitaremos ou não a Jesus como nosso Redentor. Podemos escolher se obedeceremos aos mandamentos. Podemos escolher o que comer e beber. Podemos escolher nossos amigos. A despeito das consequências, sabemos que Deus nos permite fazer escolhas. Então por que Balaão fez essa declaração? O que poderia impedi-lo de proferir uma maldição sobre os filhos de Israel?
Quando Satanás se rebelou nas cortes celestes, um de seus argumentos foi essa questão da escolha. Deus não nos deixa escolher se vamos obedecer ou não. Ele requer obediência porque sabe que há algo melhor para nós. Era essa a razão por que Balaão não podia amaldiçoar os israelitas? Satanás estava certo?
Deus não permite ou proíbe arbitrariamente nossas decisões. Números 23:21 diz que Deus “não viu iniquidade em Jacó, nem contemplou desventura em Israel; o Senhor, seu Deus, está com ele”. Foi por causa da justiça de Israel naquele momento que Deus não permitiu que Balaão amaldiçoasse Seu povo.
Esse é um grande exemplo do que Pedro escreveu em 1 Pedro 3:13, 15 e 16. A Bíblia nos diz que enfrentaremos conflitos, mas se estivermos vivendo de acordo com as palavras da Escritura, ninguém poderá nos causar dano para a eternidade. Isso significa que somos invencíveis? Não. Significa que somos imortais porque estamos guardando o sábado? Absolutamente não. Nossa obediência não é um pré-requisito para receber a proteção de Deus. Ao contrário, é o resultado de Sua proteção.
Colocando-nos no lugar de Israel, descobrimos que não há ninguém que possa causar-nos dano eterno se vivermos segundo a Palavra de Deus. A história de Balaão nos ensina que conquanto possamos causar ou sofrer dano físico, ninguém pode mudar o status de uma pessoa no que diz respeito a sua salvação.
Temos liberdade de escolha, mas essa liberdade não nos permite ordenar a Deus que salve ou que não salve outras pessoas.
Mãos à obra |
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Aaron Purkeypile | Omaha, EUA
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